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Quando a razão vira armadilha: a lucidez que dói

(Reflexão inspirada em Fernando Pessoa)


Você já percebeu que, às vezes, quanto mais tenta evitar a dor com a razão, mais ela se transforma em algo difícil de nomear?

Há coisas que não precisam ser nomeadas, apenas sentidas. 

Nomear é uma forma de racionalizar para se afastar do sentir. Temos medo de entrar em contato com a dor, como se fôssemos sucumbir. 

A falta de intimidade com a dor nos afasta do nosso próprio corpo e nos transforma em cabeça pensante. O corpo passa a ser apenas um suporte para a cabeça.

O poeta diz que "pensar é estar doente dos olhos". Para Pessoa, pensar demais é uma forma de adoecer — uma vez que nos faz ver o mundo com excesso de lucidez. Uma lucidez que dói.

Caímos, então, em um paradoxo: fugimos do sentir para evitar a dor, racionalizamos, e finalmente chegamos a uma lucidez que dói.

 
 
 

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