A dor é como um vento frio.




Quando nos deparamos com o irremediável, com o inexplicável, com aquilo que foge da nossa compreensão racional, um buraco se abre abaixo de nossos pés e nos puxa para a obscuridade onde nada faz sentido.


A dor é tamanha que não caberia em nenhuma palavra, é um sentimento que não pode ser nomeado, nos paralisa e nos cala, como um vento gelado envolve nosso corpo, silencia a alma, não há palavras que possam ser ditas.


Primeiro entramos em choque, depois precisamos negar, fantasiar que aquilo não está acontecendo.


Quando conseguimos nomear as emoções que vão emergindo da obscuridade, precisamos contar e recontar infinitas vezes. Não é para o outro que a gente conta e reconta, é para nós mesmos. A nossa narrativa nos protege das emoções avassaladoras.


Mais tarde precisamos encontrar um culpado para direcionar a nossa raiva, pode ser um terceiro, ou nós mesmos, ou ainda, pode ser Deus. Somos esvaziados da nossa crença em Deus, na humanidade, no próximo, na ciência e na justiça. De tanto sentir, a vida perde o sentido, os dias ficam cinzas e as noites se tornam mais longas e mais escuras.


A dor é como um vento frio que entra pela nossa janela, ela toma conta do nosso corpo e depois vai embora e nos deixa mais forte para a próxima dor que certamente virá.







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